5 minutos de leitura

Os algoritmos e a inteligência artificial, que já fazem parte da rotina de tantas pessoas no setor tecnológico, estão chegando rapidamente em outros ramos de atuação. O jurídico é um deles.

 

Quando se notou que a maioria dos documentos do setor eram bastante similares e poderiam ser alterados automaticamente por meio da inteligência das máquinas, os trabalhos processuais da área jurídica começaram a ser substituídos por automação.

 

Produção de documentos de prestação de serviços, locação residencial, trabalho, confidencialidade e outros mais complexos, além do acompanhamento de processos, já são feitos por softwares jurídicos que diminuem a necessidade por estagiários nos escritórios e departamentos de advocacia.

 

Disrupção tecnológica no direito

 

Essa transformação na forma de exercer o direito pede por uma redefinição da profissão, que começa a adquirir conceitos exatos junto aos humanos. O que especialistas têm notado é que, em um futuro, as posições chave dos escritórios serão preenchidas por programadores, pessoas familiarizadas com código e que possam auxiliar no desenvolvimento de softwares específicos.

 

A capacidade de analisar dados e aplicar estatísticas, conhecida como jurimetria, é cada vez mais necessária para estudantes de direito. A educação ainda precisa percorrer um longo caminho para inserir essas habilidades dentro da universidade, mas já começa a ser incorporada por cursos técnicos de formação intensiva. A Fundação Getúlio Vargas já incluiu na grade do curso de direito a disciplina de programação para alunos do quarto e quinto ano.

 

As lawtechs e legaltechs

 

Nesse cenário de inovação, as lawtechs e legaltechs vieram unir esses dois mundos, da tecnologia e do direito. Já são mais de 100 startups no ramo jurídico no Brasil, sendo que a maioria trabalha com análise e compilação de dados, jurimetria, automação de documentos jurídicos, gestão do ciclo de vida de contratos e processos, administração de informações para escritórios e departamentos jurídicos e soluções de inteligência artificial para tribunais e poder público.

 

E essa digitalização não se restringe aos escritórios de advocacia, chegando também aos departamentos jurídicos de grandes empresas. O judiciário brasileiro está iniciando o desenvolvimento junto com essas startups para a aplicação de inteligência artificial com fim de acelerar processos e auxiliar nas decisões de juízes.

 

Tecnologia como uma ferramenta de ajuda, não uma ameaça

 

A reação imediata a tudo isso é criar uma resistência à tecnologia, mas é importante entender que ela vem para fazer todo o trabalho manual, processual e repetitivo, deixando o profissional mais livre para pensar de forma estratégica no negócio.

 

A profissão não vai acabar, as funções é que vão mudar com o tempo. O maior desafio agora é identificar as reais necessidades do mercado brasileiro nesse sentido e mudar gradualmente uma cultura ainda muito conservadora, burocrática e resistente à inovações.

 

Como começar a incorporar tecnologia no jurídico?

 

A Mastertech tem auxiliado escritórios de advocacia a incorporar essas tecnologias e as mudanças que acompanham, transformando corporações para melhorar a eficiência e qualidade dos processos a partir da programação.

 

Realizamos um treinamento para 80 advogados e profissionais da área jurídica com o objetivo de capacitá-los em Design Thinking como um recurso de para solução criativa de problemas. A ideia é sensibilizar advogados e profissionais da área jurídica para as mudanças atuais, e a capacitação em design thinking é um dos caminhos possíveis para isso.

 

Durante o treinamento, percebemos a necessidade de pensarmos a tecnologia para além de produtos, incorporando suas características de fluidez, inovação e criação também aos serviços.

 

Em nossa experiência, a melhor forma de lidarmos com a substituição da força de trabalho por máquinas é nos tornando mais humanos. No direito, isso acontece ao procurarmos entender as implicações jurídicas de forma ética sobre as questões que vem para frente, como, por exemplo, saber lidar com algoritmos racistas.

 

Trabalhar em equipe, escutar mais, ter empatia com os clientes para resolver problemas mais complexos são coisas que as máquinas ainda não podem fazer. Isso é tarefa nossa, mas podemos concretizá-la com a ajuda da tecnologia.

 

Tecnologia para advogados: a transformação causada por algoritmos
Avalie esse post
Você pode também gostar