Será que a tecnologia vai tirar meu trabalho?

Seguir padrões com base em treinos e testes realizados por humanos, é o que fazem as “máquinas”. Ter senso, criatividade e flexibilidade em qualquer tipo de escolha ou tomada de decisão, é o que fazem os “humanos”.

A quarentena nos faz refletir sobre a busca de conhecimento, uma cobrança interna de que precisamos, a todo vapor, entender sobre novos assuntos, mas em alguns momentos, é comum sentir-se irrelevante, ou se comparar com outros indivíduos no quesito produtividade, em tempos em que temos um leque de possibilidades para aprender, por meio de conteúdos online.

O grande problema que encontro, é ter tantas opções para aprender e não conseguir priorizar por onde começo.

O que pode ser essencial?

O que posso escolher fazer?

Em um cenário em que sentir-se pressionado, por ter diversas demandas do trabalho, estudos ou tarefas a serem entregues, mas que envolvem conhecimentos multidisciplinares, podem vir a acontecer. Reflito muito sobre o poder da escolha, com tantas coisas a se fazer, parece que em alguns momentos, penso: “eu tenho que fazer tudo! “, e não, como deveria pensar: “eu escolho fazer isso”.

Será que o dia precisa ter mais tempo ou minha energia está na tarefa/estudo errado?

Imagem do livro essencialismo de Greg MCKeown. Página 14, capítulo 1.

Quando ler essa pergunta, reflita, o que acha ser essencial, parece que é comum pensarmos que tudo é essencial, mas de certa forma, temos que explorar o que queremos, eliminar as irrelevâncias, deixando claro que se não for um sim óbvio, então é um não óbvio e executar. Ficar só na ideia ou fazer tudo de uma vez, não faz acontecer.

Na verdade, se você refletiu sobre qualquer uma das questões acima, parabéns, você faz parte de um seleto grupo que provavelmente sairá sem muitos arranhões desse episódio. Mas se você  tem se questionado, até mesmo antes do caos de pandemia se instaurar, se seu emprego continuará existindo, então essa reflexão se tornará um pouco mais dolorosa.

As discussões ao redor da extinção de empregos por conta do avanço da tecnologia já são recorrentes. Desde os momentos de revolução industrial até as recentes conquistas da inteligência artificial e da computação quântica, a indagação sempre foi: “será que a tecnologia vai tirar meu trabalho?” O que antes era tido como incerto e distante, acaba de receber um fator de aceleração que se aumenta a cada dia.

Historicamente, as revoluções industriais e tecnológicas tem extinguido cargos que dependem diretamente da força física e pouco esforço cognitivo. Mas nos últimos 10 anos, com a disponibilização e redução de custos de poder computacional bruto, os algoritmos que simulam o funcionamento do cérebro humano têm ganhado espaço e a grande questão é: um dia será capaz de performar melhor que um ser humano também para atividades cognitivas? E se isso de fato acontecer, o que teremos de vantagem sobre as máquinas, já que as mesmas serão melhores que nós tanto em capacidade física quanto cognitiva?

Dentre todas as inúmeras promessas de sucesso que a transformação digital ainda insistia para as companhias que mais resistiam à seguir essa tendência, um acontecimento muito improvável e pouco esperado disparou o gatilho dessa transformação para muitas empresas do dia pra noite. De repente, tornou-se um caso de vida ou morte, ou melhor, de sobreviver ou falir, caso uma profunda mudança na forma de trabalho, e meios de comunicação não se adaptarem.

Um dos setores mais atingidos abruptamente pelo efeito das medidas de afastamento social foi o de educação. É evidente que houveram avanços no meio de consumo de conteúdos educativos na última década com o lançamento das diversas plataformas de e-learning que possibilitam o acesso sob demanda à uma infinidade de cursos e aulas sobre diversas áreas de conhecimento, mas ao observarmos à educação de base desde o ensino fundamental até o superior, pouca coisa mudou.

Instituições de ensino, principalmente as que lidam com crianças e adolescentes, buscam desesperadamente um caminho para continuarem suas atividades acadêmicas remotamente de uma forma dinâmica com o intuito de manter o engajamento e disciplina de seus alunos.

Já aqueles que lidam com ensino profissionalizante, veem nesse momento uma oportunidade de ouro para aumentar seus números, aproveitando da maior ociosidade da população em geral, e do medo do desemprego, seja pelo avanço tecnológico ou pela falência do empregador em decorrência da crise.

Os oferecimentos são inúmeros e para qualquer público e bolso. Mas o excesso de oferta em momentos sensíveis como esse podem ter um efeito opressivo.

Como ainda não temos uma resposta sobre quais cargos serão extintos nesse processo de transformação digital instantâneo, e seria uma aposta bastante inconsequente dizer que x ou y seriam extintos, o que podemos dizer é: tirem vantagem desse momento. Por mais absurdo que isso soe, ao olharmos com vistas grossas, é uma oportunidade e tanto para adquirir conhecimento, e nós ainda temos essa vantagem sobre as máquinas já que algoritmos de aprendizagem de máquina não supervisionados ainda são pouco viáveis.

Com a grande disseminação de informação e criação de conhecimento, seja você empregado ou desempregado, a melhor aposta que pode ser feita nesse momento é: adquirir conhecimento.

Este texto foi escrito por Eric Gauch e Gabriel Roger, os dois fazem parte do time da Mastertech e basearam esse post em suas leituras dos livros a seguir:

A Sociedade dos Poetas Remotos é uma iniciativa interna da Mastertech para manter o time conectado em tempos de quarentena. Cada pessoa da nossa equipe recebeu de surpresa um livro em casa, escolhido pelos líderes. Após a leitura de cada um, todos foram separados em grupos e escreveram um texto conjunto que conecta as obras.

Todos os livros da Sociedade dos Poetas Remotos são parte importante da visão da Mastertech e os conteúdos deles são citados com frequência em nossos cursos abertos. Se você gostou desta iniciativa, é bem provável que também goste de nossas aulas. Visite o nosso site e veja as próximas datas!

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