Cultura ágil fora de série

Outliers são pontos fora da curva, ou como a própria tradução do livro sugere: fora de série. Logo nos seu primeiro capítulo conta sobre o efeito Mateus e, para ilustrar usa de exemplo crianças que jogam hóquei no Canadá. Crianças que acabam chegando às grandes ligas, em uma maioria esmagadora são nascidas entre os três primeiros meses do ano. E a explicação deste fato é simples, o mês que às crianças nascem influencia diretamente nas chances da criança se destacar no hóquei aos 10 anos de idade. As categorias do hóquei são como no futebol aqui no Brasil, separadas por idade. Aos 10 anos uma criança que nasceu em Janeiro e outra que nasceu em Dezembro, tem diferenças físicas significativas para o seu desenvolvimento. Logo, a criança que nasce no começo do ano tem chances maiores de se destacar jogando com crianças que nasceram depois. E com esse destaque essa criança começa a jogar em times melhores, com estruturas melhores, treinos mais longos e mais vezes por semana. E isso faz com as chances dela ser bem sucedida no hóquei sejam maiores. A criança pode ter talento e paixão para o hóquei mas um fator externo a ela pode atrapalhar ou contribuir para a sua trajetória de forma significativa. A criança não tem controle sobre a forma com que os jovens atletas são escolhidos ou o mês em que nasceram. Ter essas oportunidades e pequenas vantagens que em um primeiro momento passam despercebidas aos nossos olhos podem fazer com que um outlier apareça. 

Da mesma forma podemos dizer que dentro de um contexto ágil, equipes que receberem os estímulos corretos podem gerar resultados de mais valor. Uma empresa que já nasce dentro de um contexto de agilidade vai ter uma vantagem sobre empresas muito hierarquizadas, cheias de processos burocráticos e estrutura enrijecida. Mas isso não significa que uma grande empresa não possa usufruir dos benefícios de uma cultura ágil dado o contexto que se encontra pois, independente do tamanho dessa empresa, o núcleo do problema é o mesmo, a cultura e sua influência. 

Em outliers também é mencionado sobre uma regras das 10.000 horas, uma conclusão que o autor chega para explicar pessoas que se destacam em suas funções e habilidades. Fazendo uma estimativa de horas de prática e treino dessas pessoas, ele chega ao número 10.000. Isso quer dizer que mesmo com a aptidão, as vantagens que a pessoa possa ter, é preciso ter uma dedicação imensa para chegar ao nível de destaque. E claro, que nesse período de treino essas pessoas tiveram que errar, uma, duas, três vezes. Mas esses erros serviram de aprendizado para no futuro se chegar no acerto. Errar de forma mais rápida e adaptável é um dos maiores segredos do processo e melhoria 

contínua aplicada no ágil, pois tem suas raízes na nossa capacidade cognitiva de adaptação. O problema reside justamente no medo de induzir ou ser induzido ao erro, de forma que nossos problemas subjacentes demoram a serem postos a discussão. 

Para ser um outlier, talento e dedicação por si só não são suficientes, é preciso ter sorte de nascer em uma época que traga às melhores oportunidades, além de contar com fatores culturais da época e local. 

Outliers expõe a vantagem significativa em estar no tempo e lugar certos. Silos tecnológicos que possuem o fator cultura como desvantagem, independente do contexto, precisam entender que, aplicado da forma correta, a metodologia ágil nos coloca em pauta um assunto que tentamos obstinadamente evitar, e geralmente esse assunto em questão é o cerne do problema cultural. 

Um exemplo utilizado no livro é do Bill Gates, Bill Joy e Steve Jobs, todos destaques na área de tecnologia. Os três nasceram na década de 50, o que fez com eles estivessem na sua fase de maior produtividade no momento em que a indústria estava crescendo e souberam ler este momento e aproveitar às oportunidades que estavam ao seu alcance. 

De fato o tempo é um fator que não conseguimos controlar, mas demos longos saltos no que se refere a espaço de forma que conseguimos transformá-los em ambientes de maior produtividade. O uso da metodologia ágil, procurando uma linguagem que tenha fundamento e seja propositiva ao invés de jargões organizacionais e até do próprio ágil, a capacidade de abstrair nomenclaturas e regras em oposição a diminuir ou evitar linguagens que desafiam sua zona de conforto, feito de forma correta e responsável, possui uma capacidade extraordinária de trazer mudanças significativas, mesmo que em pequenas doses contínuas, ainda sim de forma escalável.

Este texto foi escrito por Ana Morita e Pedro Boy, os dois fazem parte do time da Mastertech e basearam esse post em suas leituras dos livros a seguir:

A Sociedade dos Poetas Remotos é uma iniciativa interna da Mastertech para manter o time conectado em tempos de quarentena. Cada pessoa da nossa equipe recebeu de surpresa um livro em casa, escolhido pelos líderes. Após a leitura de cada um, todos foram separados em grupos e escreveram um texto conjunto que conecta as obras.

Todos os livros da Sociedade dos Poetas Remotos são parte importante da visão da Mastertech e os conteúdos deles são citados com frequência em nossos cursos abertos. Se você gostou desta iniciativa, é bem provável que também goste de nossas aulas. Visite o nosso site e veja as próximas datas!

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