A quarentena não é normal

Leonard Mlodinow oferece um bom paralelo para esse momento no seu livro “O Andar do Bêbado”.

Imagine um piloto de avião na fase final do seu treinamento. Ao errar uma aterrissagem, ele sofre sérias sanções dos seus superiores. E se pessoas estivessem nesse avião? E se eu não tivesse ao seu lado para ajudá-lo a corrigir o erro?. Esse mesmo piloto, depois da falha, volta a treinar e consegue voltar a pousar o avião dentro dos padrões. Por isso, ele é cumprimentado pelos seus iguais e dá a impressão que a bronca “valeu a pena”. Ledo engano. 

Da mesma forma que um piloto de avião que está constantemente aprendendo, você está vulnerável ao acaso, ao aleatório. Uma falha isolada na trajetória de um piloto ou um resultado extremamente bem sucedido são acontecimentos residuais dentro do que podemos chamar de normalidade. O normal, por definição estatística, tem a concentração das suas ocorrências onde há mais probabilidade. Da mesma forma que um inesperado vento forte pode levar um piloto a resultados negativos inesperados, uma pandemia pode levar o seu negócio ou atividade a resultados imprevistos. Tudo isso faz parte do acaso, do improvável. 

Avaliar o mau funcionamento de um organismo é uma atividade complexa nesses tempos. O desafio se pauta por uma troca entre o sistema 1 e o sistema 2 do nosso cérebro, descrito pelo escritor Daniel Kahneman em seu livro “Rápido e Devagar”.

Enquanto nosso sistema 1, mais imediatista e responsável por ações de baixo processamento do nosso cérebro, tende a criar uma sensação de improdutividade e completa imprevisibilidade, o sistema 2, mais metódico e com maior capacidade de realizar tarefas complexas, vai precisar falar mais alto. 

A constante racionalidade diante de um cenário de incerteza vai determinar quem vai permanecer no mercado. Um fator aleatório, como a epidemia do Covid-19, dificilmente seria previsto por nós, leigos. Nosso sistema 2 não contaria com isso, já que em seus registros não havia anotações de fenômenos como estes. Cabe a ele tomar as rédeas para traçar novas rotas para que, enfim, possamos remodelar nossos negócios. Da mesma forma que entramos nessa pelo improvável, as melhores decisões não vão ser uma obra exclusiva do previsível. Como Maquiavel fala em seu livro O Príncipe, um bom governante domina a fortuna, o que não é previsível. Diferente dos nossos contemporâneos, o autor ousa a definir o que é o “imprevisível”: são as forças que determinam o futuro. Enquanto empreendedores, nos cabe a reflexão de quais forças nos movimentam em tempos anormais de quarentena.

Este texto foi escrito por Nicholas Zacarias e Rodrigo Assis, os dois fazem parte do time da Mastertech e basearam esse post em suas leituras dos livros a seguir:

A Sociedade dos Poetas Remotos é uma iniciativa interna da Mastertech para manter o time conectado em tempos de quarentena. Cada pessoa da nossa equipe recebeu de surpresa um livro em casa, escolhido pelos líderes. Após a leitura de cada um, todos foram separados em grupos e escreveram um texto conjunto que conecta as obras.

Todos os livros da Sociedade dos Poetas Remotos são parte importante da visão da Mastertech e os conteúdos deles são citados com frequência em nossos cursos abertos. Se você gostou desta iniciativa, é bem provável que também goste de nossas aulas. Visite o nosso site e veja as próximas datas!

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