A Menina Quebrada Que Vivia de Algoritmos

Não existem livros e filmes ruins, existem apenas livros e filmes. Nada é  bom ou ruim. O que determina esses valores nas coisas é a lente de quem  vê. O repertório de quem lê. Comunicação é o que outro entende, não o  que você diz.

Por isso mesmo que discutir dois livros muito diferentes, um sobre matemática e algoritmos e outro sobre crônicas, é preciso desprender pouco tempo para encontrar uma conexão profunda entre as duas obras. Mágica? Super-poderes? Não, contexto, repertório e conexão.

No  fundo tudo é repertório, a tão falada inovação, é sobre isso. Para  inovar é necessário antes de mais nada, entender o contexto. Nada se cria no vácuo. Para saber para onde ir, é necessário saber de onde partir.

Em Algoritmos para Viver, Brian Christian e Tom Griffiths fazem exatamente isso para apresentar conceitos de matemática e computação. Nada ali é novo, o segredo está na forma. Os autores usam contextos de humanas e exemplos corriqueiros para explicar as ciências exatas. Coisas complexas  ficam óbvias e universos distantes se aproximam. Trabalho puro e simples de marketing: entenda o contexto e o repertório do seu público,  adeque a sua mensagem a ele e reduza ruídos em sua comunicação.

A  mensagem certa passada de forma errada pode trazer consequências irreparáveis. Se mais professores do ciclo básico entendessem isso, talvez hoje existissem mais programadores e astrofísicos no mercado. Entretanto, se mais pessoas em meio ao percurso, entendessem que a grande árvore de decisão, também conhecida como vida, não é necessariamente a escolha de Sofia, o mercado ainda pode ter mais programadores e astrofísicos.

Então volte: se inovar é sobre entender o contexto, não é nas certezas absolutas do percurso particular que se inova, certo? E Eliane Brum pode auxiliar nessa caminhada.

Em A menina quebrada – também uma de suas colunas, mas história para outra conversa – empresta seu repertório e suas dúvidas formadas como uma forma de nos arrancar de nossa comodidade para enxergar o mundo de outra forma, de outro ângulo. Nos fazendo enxergar dizendo na coluna Vida Clichê que “Na busca de um lugar seguro, não copiamos apenas os outros, mas nós mesmos, infinitas vezes” e afirmando que “conforto é bom, mas também uma não ação”.

Na aventura, Brum estende a mão para caminhar junto a ela em sua estrada de dúvidas e incertezas, dando a oportunidade de repensar o caminho quantas vezes forem necessárias a fim de entender e compreender se é sabido exatamente de onde é preciso partir.

O mundo não é um lugar seguro, nunca vai ser. Antecipar problemas e criar certezas é impossível. Explore outros contextos, crie repertório e estabeleça novas conexões. Só assim é possível enxergar novas possibilidades para uma mesma vida.



Este texto foi escrito por Mariana Moraes e Nicolas Levada, os dois fazem parte do time da Mastertech e basearam esse post em suas leituras dos livros a seguir:

A Sociedade dos Poetas Remotos é uma iniciativa interna da Mastertech para manter o time conectado em tempos de quarentena. Cada pessoa da nossa equipe recebeu de surpresa um livro em casa, escolhido pelos líderes. Após a leitura de cada um, todos foram separados em grupos e escreveram um texto conjunto que conecta as obras.

Todos os livros da Sociedade dos Poetas Remotos são parte importante da visão da Mastertech e os conteúdos deles são citados com frequência em nossos cursos abertos. Se você gostou desta iniciativa, é bem provável que também goste de nossas aulas. Visite o nosso site e veja as próximas datas!

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