Você conhece a Patagônia?

sobre economia circular, upcycling, tradeoffs, pele em jogo e sustentabilidade

A Patagonia é uma das marcas mais admiradas pelos praticantes de esportes de mar e montanha, com uma linha de roupas e acessórios reconhecidos pela qualidade, design e durabilidade.

É famosa a sua filosofia ambiental que prega a consumo consciente, orientando que as pessoas comprem menos, inclusive de seus produtos.

Num primeiro olhar pode parecer apenas marketing, mas, numa demonstração radical de colocar a própria pele em jogo, em certo momento de sua história tiraram de circulação um acessória de escalada que era responsável por 75% do faturamento, cujo descarte, natural pela dinâmica do esporte, estava poluindo as montanhas.

A empresa é adepta do conceito de economia circular, o qual postula a reutilização contínua de materiais e insumos, mantendo-os dentro da cadeia produtiva, mesmo que ressignificado por outros usos e utilidades, anulando, dessa forma, descartes precoces e injustificados.

A iniciativa mais recente da Patagônia atende pelo nome de Recraft, um projeto que usa peças antigas e descartadas de suas próprias roupas para confeccionar novos modelos, naquilo que é conhecido como upcycling, uma tendência que se consolida no varejo de moda, convergindo a pauta de sustentabilidade com uma mudança de consciência dos consumidores.

Praticar upcycling é complexo, pois exige adaptações estruturais nas fases produtivas, o que naturalmente alonga os prazos de confecção, indo na contramão de um mercado onde volume, tempo e escala são imperativos de sucesso, sendo o conceito de fast fashion sua síntese maior.

No caso da indústria da moda, significaria ajustar-se, nesse tipo de iniciativa, do modelo industrial para processos quase artesanais, o que resultaria em produtos, ao mesmo tempo, mais exclusivos e também mais caros que o normal.

Praticar sustentabilidade, em qualquer nível, vai implicar, sim, numa questão financeira, a qual têm sido maquiada em ações que exalam boa intenção, mas que são meramente artificiais.

O caso da Patagônia, com as abstrações e ressalvas necessárias, mostra que é possível equilibrar proposta de valor, filosofia, preocupação ambiental, qualidade e até mesmo resultado financeiro, cada qual no seu tempo, cada qual impulsionado o próximo.

Leia mais sobre o caso nos links no final do texto.

Como contraponto, os acionistas da Unilever não reagiram bem ao anúncio dos resultados da empresa, que apontavam uma rápida recuperação da empresa aos níveis de vendas pré-pandemia.

Como assim? Mas isso não é bom

Sim e não.

Numa visão restrita, de curto prazo, sim, mas os acionistas estavam preocupados com a falta de perspectiva de longo prazo no desenvolvimento de produtos mais saudáveis e responsáveis, e isso, nessa época, no aqui e agora de 2021, é um valor caro demais para ser ignorado estrategicamente.

⟶ mais sobre esse caso aqui: https://bit.ly/3q4dUlx 

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Aqui o link para a reportagem da Patagonia ⟶ https://bit.ly/3rsE95i 

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Este texto foi originalmente publicado no dia 08/02/2021 no M/Daily, nossa newsletter via WhatsApp, onde você recebe materiais e curadorias sobre metodologias ágeis, negócios e transformação digital. Acesse no link abaixo.

https://materiais.mastertech.com.br/mdaily-20202

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