Uma lição sobre resolução de problemas complexos

Um problema é tudo aquilo que tem solução e gera desconforto.

Em suma, é uma condição não satisfatória que pode e deve ser resolvida. Muita gente, inclusive, se esconde atrás da máxima: “vixe, mas isso não tem jeito”, no entanto vamos deixar isso para outro dia.

Temos tipos de problemas.

O mais temido e recorrente numa sociedade digital acelerada como a nossa é o problema complexo.

Um problema complexo é aquele que possui diversas situações combinadas, com condições inadequadas para uma solução. Por isso, precisa de várias soluções que interajam entre si.

Quando lidamos com um problema complexo, você não sabe o que esperar dos resultados: não há como prever como a interação entre partes alteram o sistema.

Um exemplo é uma cidade, com diversos indivíduos com motivações diferentes, se movimentando e interagindo, expostos a diversos outros fatores, como sazonalidade, clima, distâncias, etc.

Aí entra um case e tanto de uma cidade sabendo lidar com um problema complexo com brilhantismo.

Brilhantismo que, neste caso, significa, de forma enxuta e direta, endereçar o maior número de cenários possíveis.

A cidade é Nova York, famosa pelos negócios e turismo, com uma respeitável rede hoteleira, em suma, uma potência urbana.

Sabe outro motivo que a fez famosa recentemente? Uma taxa de contágio bizarra de COVID-19.

Embora alarmante, também era esperado, afinal é uma cidade que atrai gente do mundo todo, em busca do sonho americano, e capaz de se submeter a viver com muitas pessoas, em espaços restritos, dividindo banheiro e sem condições de priorizar isolamento.

O programa da cidade pra lidar com a situação, e que desde já se apresenta com um caso criativo e inovador, propunha 3 pilares:

⟶ teste gratuito, tracking do possível contágio e disponibilização de quartos de hotéis para isolamento.

O último é tema dessa discussão.

Parece óbvio que se uma pessoa contaminada precisa se isolar, mas, que por motivos justificáveis, não consiga, eu não deveria responsabilizá-la.

Mas foi o que a maioria dos governos fez pra lidar com isso?

Na maior parte dos casos, esse pilar de isolamento foi endereçado com marketing e conscientização e não com alternativas escaláveis, públicas e eficazes.

Nova York fez diferente.

Em vez de delegar para o terceiro setor ou para a iniciativa privada, a prefeitura procurou os hotéis que estão vivendo uma crise gigante com a a queda no turismo de negócios e lazer e propôs, em tom de conciliação de interesses, o seguinte:

Eu posso reservar seus quartos para isolar pacientes de COVID-19 com sintomas leves ou assintomáticos?

Para a rede de hotéis, essa medida pode ser a salvação de um ano cruel para os negócios.

Para a prefeitura, uma possibilidade de conter o espalhamento do vírus, promovendo e viabilizando uma ação prática.

Ou seja, uma solução de arquitetura simples para um problema complexo.

O programa é voluntário e deve ser acionado pelo paciente que reconhece a impossibilidade de se isolar. Você, então, é direcionado para o seu quarto de hotel e protege a cidade inteira.

Como eu fiquei sabendo deste caso?

Uma TikToker viralizou contando a sua rotina.

Você recebe alimentação e acompanhamento psicológico e, além disso, tem a garantia de que não foi responsável pela infecção de tantos outros.

Tem ainda mais lições nessa história toda, não!?

Se quiser entender melhor o programa está aí o material oficial de divulgação disponível no site da prefeitura de NYC.

A lição é: Cuidado com o pensamento limitante que inviabiliza as soluções simples e mais eficazes para os seus problemas complexos.

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Por Camila Achutti, CEO da Mastertech.

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Este texto foi originalmente publicado no dia 26/02/2021 no M/Daily, nossa newsletter via WhatsApp, onde você recebe materiais e curadorias sobre metodologias ágeis, negócios e transformação digital. Acesse no link abaixo.

https://materiais.mastertech.com.br/mdaily-20202

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