Qual é a tua arte?

um post sobre estratégia de negociação

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A história que vamos contar não têm santos.

O governo australiano teve uma atitude de Facebook, no pior sentido.

Sem muito papo, ergueu uma legislação que impõe a necessidade de se pagar por conteúdos jornalísticos quando estes forem usados, por quaisquer motivos, em redes sociais e portais de todo tipo.

Não importa a circunstância.

Se consumiu (ou permitiu que alguém consumisse) notícia (conteúdo) em seus domínios, tem de pagar.

Isso afeta de forma direta Google e Facebook, que desde já tem duas alternativas: ou entram em acordo com as empresas ou deixam de ter direito de uso.

É interessante, pois esse episódio me faz lembrar aquela empresa que renovou os termos de uso de suas aplicações, impondo aos seus usuários uma condição parecida em essência, mais ou menos nessa linha aqui:

se você está nas minhas redes, seus dados são meus, mas se você não concordar pode sair daqui, pois não há outra opção.

Essa empresa era o Facebook, que está experimentando a “lei do eterno retorno”, do aqui se faz, aqui se paga, ou dente por dente, dado por dado, quer dizer, olho por olho.

O governo australiano usou das boas práticas da Arte da Guerra de Sun Tzu e do Príncipe de Maquiavel, dois livros clássicos de estratégia, os mesmos que os executivos do Facebook devem ter em suas cabeceiras.

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Essa “literatura de combate” ensina táticas de conquista que, quando bem sucedidas, são do tipo “the winner takes all”, ou seja, uma vitória aniquiladora, incontestável, o domínio do mercado e outras expressões grandiosas.

A reação do Facebook foi no estilo Facebook, derrubando todos os links de notícias de seus sistemas, além de ameaçar sair do país, caso a lei não seja rediscutida.

Nesse caso, estou com o Facebook (embora me custe admitir isso, pois condeno praticamente toda decisão de negócios deles).

A empresa argumenta que não faz sentido pagar por algo, quando o que ela faz (ou permite fazer) é, de certa forma, benéfico para as empresas de mídia, pois funciona como um canal de distribuição, ampliando alcance e publicidade.

A repercussão tem sido enorme, pois dependendo do que acontecer na Australia, isso certamente vai determinar um padrão global.

Nesse imbróglio todo, o Google foi por outro caminho, de conciliação, tentando costurar acordos que envolvem um pagamento pelo uso desses conteúdos.

Enquanto o Facebook vai de combo Arte da Guerra+ O Príncipe, o Google foi por outra linha estratégica, mais alinhada com os princípios do livro “Como Chegar ao Sim”, outro clássico da literatura de negócios, onde o mais importante é a construção de relações do tipo “win-win” (ganha-ganha).

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É importante ressaltar que as dores dessas duas empresas, nesse caso, são muito diferentes.

Se para o Facebook a coisa parece uma afronta à lógica de negócios, para o Google a questão é mais delicada pois a empresa “vende” indexação, o que a faz ter de negociar com muito mais cuidado, pois isso é o motor de sua mais importante solução de negócios (o seu buscador).

Portanto, são dois modelos de negócios distintos, cada qual tendo de aplicar uma estratégia que proteja seus interesses.

Reflitam vocês.

Qual a linha de negociação que mais faz sentido no seu negócio?

“The winner takes all” ou “win-win”? Uma vitória aniquiladora ou a construção de um “ganha-ganha”?

Seja qual for a linha de pensamento, sempre evoquem o conceito de antifragilidade que discutimos neste outro post

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p.s: para compreender melhor o que está acontecendo na Australia, leia aqui

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