Mistérios recônditos

Algoritmo é o novo pão quente, e talvez este epíteto lhe caia bem.

Este recurso é a epítome da era dos dados, mas não é uma panaceia, ainda mais se considerarmos o seu hermetismo natural.

É importante ter em mente que algoritmos lidam com a captura de idiossincrasias do meio que vivemos, caso contrário seremos todos solapados numa economia que usa recursos recursivos de venda, na linha do “se tem algoritmo é bom ou é bom porque tem algoritmo”.

Se você não desistiu ainda, é possível que tenha lido muitas palavras que lhe soam estranhas, inclusive a do título, as quais lhe fogem o significado.

É estranho ler um texto quando a mensagem fica incompleta ou duvidosa, pois não sabemos a intenção de um termo desconhecido.

Para essas situações, uma rápida consulta ao dicionário ajuda.

Mas, e no caso dos algoritmos?

Deixa eu fazer uma pergunta:

Numa briga hipotética entre dois algoritmos que se dedicam a fazer a mesma coisa, quem vence?

O mais inteligente, talvez?

Mas o que define inteligência em um algoritmo? Você saberia reconhecer? Aliás, você já teve acesso a algum algoritmo que você usa pra saber como ele é feito?

Provável que não.

Algoritmos não são publicados em bulas, rótulos, tampouco são descritos como receitas, como no site “tudogostoso.com”.

Não são, mas deveriam, como diz a pesquisadora de dados Cathy O’Neil, escritora do livro “Armas de destruição matemática”.

Foto: TED Talks

O’Neil faz um tratado dos nossos tempos, deixando evidente nossa apatia em buscar esclarecer as bases fundamentais da economia digital.

Ao não questionarmos aquilo que naturalmente se faz oculto, como os algoritmos, estamos sujeitos a regras que podem ser nocivas e desiguais, sendo que isso pode ser ainda mais prejudicial pra uns do que para outros.

A autora faz um apelo por transparência, no que também seria uma função de educar clientes e consumidores sobre esse novo ambiente e suas regras.

Voltando na pergunta que fiz lá em cima, vou propor uma outra reflexão.

O Banco Santander promoveu uma campanha com o seguinte apelo “Ações com a precisão de algoritmos e a inteligência de analistas”.

É um esforço para converter clientes no mercado de renda variável, e ao criar esse lema, o banco passa um verniz de modernidade e de alinhamento com as melhores praticas e ferramentas do mundo digital.

Bom, pode ser verdade, mas antes de ser verdade é marketing e o banco está certo, faz parte da estratégia dele.

A questão é mais com a gente.

Então, pergunto novamente.

Por que o algoritmo do Santander é mais preciso do que o do Itaú, por exemplo, ou do Safra?

Afinal, não basta ter algoritmo, ele tem que ser competitivo, certo?

Essa é uma reflexão que todos deveremos fazer, mas também é um direito.

Devemos questionar.

Se você tem conta no Santander, aproveite que eles tem por hábito fazer a pergunta “O que posso fazer por você hoje?”, e pergunte: Que tal me explicar seu algoritmo de recomendações de ações?

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Este texto foi originalmente publicado no dia 09/03/2021 no M/Daily, nossa newsletter via WhatsApp, onde você recebe materiais e curadorias sobre metodologias ágeis, negócios e transformação digital. Acesse no link abaixo.

https://materiais.mastertech.com.br/mdaily-20202

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