Inteligência contextual

Um texto que aborda as mudanças estratégicas de Google e Apple na proteção de privacidade de seus usuários, o que vai gerar um impacto importante na forma de fazer marketing digital.

Há uma categorização que se aplica aos investidores do mercado de renda variável e que os separam entre grafistas e fundamentalistas.

Os primeiros são adeptos de análises estatísticas que estudam movimentos de compra e venda de ações através da representação visual de comportamentos que se mostraram frequentes em eventos passados.

Com essa premissa, cada indivíduo tem capacidade de definir seus gatilhos de investimentos, combinando sinais que são indicativos de uma nova oportunidade.

Para os grafistas, assertividade e timing são essenciais, sobretudo por suas operações, geralmente, serem mais rápidas, voláteis e de curto prazo.

Já os fundamentalistas pouco se abalam com as oscilações gráficas, o que não significa que ignoram os dados.

Para essa categoria importa o contexto mais amplo, de médio e longo prazo, o que envolve interpretar a economia, a política, o comportamento social e, claro, as empresas e suas estratégias, principalmente governança corporativa e a forma como capitalizam esse conjunto de variáveis no desenvolvimento de serviços e produtos.

Essa dualidade de estilos, entre grafistas e fundamentalistas, está em todo lugar, e não apenas no mercado financeiro.

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uma ilustração dos dois modelos de atuação

Os estrategistas de marketing também operam nessas duas visões, por isso estão acompanhado de perto os desdobramentos de uma tendência que vai mudar o jeito de fazer marketing digital.

Google e Apple, cada qual em seus espaços de atuação, estão próximas de implementar funcionalidades que permitirão aos usuários de seus sistemas controlar sua exposição de privacidade, o que implica bloquear a exposição de publicidades indesejáveis.

Numa pesquisa recente, 80% das pessoas se manifestaram propensas a utilizarem este recurso, o que as tornarão inalcançáveis para as estratégias que fazem uso desses algoritmos de recomendação, baseados em seus comportamento na rede.

É praticamente o fim do marketing digital como conhecemos, mas não é o fim do marketing.

Começa a ressurgir a dinâmica que sempre foi fundamental na publicidade, que é a análise de contexto.

Antes dessa conversão coletiva do mercado em entusiastas de gráficos e dashboards analíticos, o que importavam eram os fundamentos.

É para este lugar que voltaremos.

As estratégias de Google e Apple, se criam impedimentos para o marketing digital, também exigem que se encontrem outras alternativas.

Estas, por sua vez, não significam voltar ao modo analógico, pois o mercado sempre evolui, mesmo (e sobretudo) quando algumas portas são fechadas.

É, afinal, o que chamamos de inovação, que são as coisas que surgem quando as forças de mercado se equilibram, exigindo movimentos inéditos (dentro do contexto) para buscar diferenciais competitivos.

No entanto, a gente não precisa esperar as portas fecharem, não é mesmo?

É o que o mercado está fazendo e começam a surgir empresas de “inteligência contextual”.

Com a iminente mudança, será preciso migrar as estratégias dos gráficos para os fundamentos, e isso vai se dar usando os sinais físicos (e feedbacks) dos nossos smartphones (?!).

Antes de ser um conjunto de aplicações e sistemas, isso que carregamos no bolso é um hardware repleto de sensores, os quais emitem sinais de tempo, localização e movimento que podem ser convertidos em inteligência contextual.

Basicamente, não será preciso usar seus dados diretos, mas sim aqueles originados de seus dispositivos, e que indicam suas ações em determinados momentos e locais, o que também vai definir um novo jeito de “construir atração”.

Esse movimento vai se amplificar pela evolução dos dispositivos que incorporam elementos de internet das coisas (IoT), o que representa a autonomia dos equipamentos de transacionarem informações entre si, sem intermediários, e refletindo a leitura e interpretação dos dados disponíveis em seus ambientes de operação.

Essa triangulação entre equipamentos vai ser acelerada pela tecnologia de 5G, o que em breve vai nos lançar em outro patamar de conexão e velocidade de transação.

Isso que acabamos de explicar representa uma leitura do contexto digital, turbinado pela complexa dinâmica de interesses da economia atual.

É menos uma migração de gráficos para fundamentos, mas sim o predomínio do segundo sobre o primeiro na leitura estratégica do momento.

Os gráficos não mostram mudanças de leis ou adaptações de políticas corporativas.

Por isso, sejam minimamente fundamentalistas em tudo que vocês fazem.

Isso é fundamental.

Se quer saber mais sobre inteligência contextual, leiam o artigo que está neste link.

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