Catástrofe, desigualdade ou transformação?

Um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e economia criativa, o SXSW, foi cancelado em 2020 devido à chegada da pandemia.

Seguindo a tendência, o festival mais hype do mundo da tecnologia se tornou totalmente digital.

No SXSW é sempre interessante seguir as discussões que ecoam os bastidores da inovação, sobretudo aquelas que são compiladas num relatório anual de tendências patrocinado pelo evento.

Esse relatório ficou famoso e merece nossa atenção por alguns motivos:

1. Ele é diverso e robusto, repleto de insights em vários segmentos e indústrias. Esse ano foram mais de 500 previsões.

2. Ele é produzido por uma mulher, a futurista Amy Webb, fundadora do “The Future Today Institute”, que assina o relatório.

Crédito: Rich Polk/GettyImages

3. Ele é quantitativo. Ou seja, demonstra a lógica por trás das afirmações, um dos poucos que faz isso.

⤚ O link para a versão completa está aqui:

As previsões você mesmo leia, ok?!

Eu queria discutir o método com vocês, afinal se a gente entender qual a estrutura de raciocínio, quem sabe não conseguimos aplicar para nossas indústrias e realidades.

O relatório é organizado por 3 cenários que se dedicam a prever os próximos 15 anos.

Os nomes dos cenários são indicativos do perfil de risco e impacto que se pretende abordar: (1) Catástrofe, (2) Intermediário e (3)Transformador.

No primeiro e mais sombrio, em 2036, segundo Amy, não teremos mais médicos e seremos avaliados e medicados por IAs (inteligências artificiais), que irão nos punir por escolhas erradas em nossas vidas.

Teremos um “score” social que condicionará nosso acesso aos serviços de saúde e nossos corpos serão monitorados a todo instante por dispositivos vestíveis dos mais variados.

Esse smartwatch aí no seu braço, por exemplo, está fazendo o que?

O cenário intermediário retrata uma sociedade desigual, no qual a humanidade entraria num transe coletivo de resignação.

Eu realmente queria acreditar que vamos cair fora desse, mas…

O terceiro cenário, denominado “Transformador”, imagina a nós mesmos como agentes visionários, capazes de criar um futuro melhor — Nosso ativismo e nosso relacionamento com a tecnologia deve confrontar as questões referentes à nossa liberdade, nosso livre-arbítrio e nossos sistemas políticos e econômicos.

Para além do método fica aqui um fato que independe de cenário: a realidade phygital, ou seja, que mistura físico e digital, vai ganhando espaço e irá se disseminar por sistemas, sensores, artefatos e dados que mudarão nossa perspectiva do que é certo, do que é errado, do risco, da autonomia e da responsabilidade.

Como?

Essa é uma resposta que cada um de nós precisa buscar.

Além de ler o relatório da Amy Webb no final de semana, fica aqui o link de uma aula aberta sobre limites entre privacidade e personalização.

Pode te ajudar a refletir sobre como começar esses movimentos

∎∎∎

Este texto foi originalmente publicado no dia 19/03/2021 no M/Daily, nossa newsletter via WhatsApp, onde você recebe materiais e curadorias sobre metodologias ágeis, negócios e transformação digital. Acesse no link abaixo.

https://materiais.mastertech.com.br/mdaily-20202

Deixe uma resposta