Antifrágil e com a pele em jogo

Antifrágil e com a pele em jogo

Texto baseado em artigo do New York Times de dia 24/04/20 .

Direita ou esquerda, conservadores ou progressistas, patriotas ou separatistas, conflitos religiosos.

A história é pródiga em oposições hostis na busca pelo poder.

Dá-se um nome técnico às decisões que envolvem ganhos e perdas em situações delicadas, onde as opiniões e emoções estão polarizadas.

Chamamos de cálculo político.

E decisores fazem conta o tempo todo.

Não raro, escolhem um caminho, avaliam as reações e ajustam-se, num esforço contínuo de preservação do capital político.

Diante dessa matemática do poder, é preciso buscar o maior equilíbrio possível, sabendo que danos ocorrerão em virtude da sensibilidade dos temas envolvidos.

Nos dias de hoje, em tempos de redes sociais, os extremos estão cada vez mais distantes, o que nos faz refletir sobre uma eventual extinção de um campo de moderação e de debates que busquem convergência, independente do espectro político das partes.

Por isso tudo, é admirável um exemplo que vem da Oceania.

O primeiro ministro australiano e a primeira ministra neozelandesa colocaram questões políticas de lado e se uniram para combater a pandemia de coronavírus. Saiba mais aqui.

Ele, conservador, ela, progressista, “inimigos políticos históricos”, mas ambos conscientes de que a solução para o problema envolveria ciência, civilidade, bom senso e rapidez de reação.

Cálculos políticos remetem a outro conceito importante, o de Antifragilidade.

Organismos antifrágeis tendem a se beneficiar com o caos, pois suas perdas são sempre menos relevantes e impactantes em ambientes de incerteza e de volatilidade.

Numa situação como a que estamos vivendo, fica claro como o equilíbrio social é frágil, ao ponto de estarmos enclausurados para combater um vírus.

Mas vamos aproximar a questão da pauta política.

Antifragilidade, nesse contexto, deve ser avaliada quanto aos resultados potenciais de uma decisão em momentos críticos.

Decisões cujos resultados negativos superam a magnitude dos positivos são decisões frágeis.

Ao contrário, se as perdas potenciais de uma decisão são pouco relevantes e os resultados, casos as coisas dêem certo, enormes, estamos de frente para um exemplo claríssimo de situação antifrágil.

Cálculo político e antifragilidade se encontram nesse ponto.

As lideranças de Austrália e Nova Zelândia, ao colocarem diferenças políticas de lado, foram essencialmente antifrágeis, pois os benefícios dessa cooperação mais do que compensaram as picuinhas ideológicas.

Atitudes maduras e flexibilidade de pensamentos permitiram olhar a situação por outro enquadramento, unindo ciência e diplomacia para resolver um problema humanitário.

Cálculos políticos também acontecem nos negócios, nas empresas e em nossas vidas sociais.

E além do aspecto de fragilidade, cálculos políticos também implicam envolvimento e comprometimento pessoal, sobretudo quanto aos impactos sofridos por quem toma as decisões.

A isso se dá outro nome — “skin in the game”, ou simplesmente, arriscar sua própria pele.

Bons líderes, gestores e políticos comprometem suas biografias.

Os líderes de Austrália e Nova Zelândia arriscaram suas reputações, pois não se tratava de uma decisão unilateral, mas de uma aliança com um opositor político.

Foram antifrágies na modelagem decisória e arriscaram sua peles, adotando uma das máximas da cultura ágil, assim descrito em seu quarto valor: “A capacidade de resposta a mudanças acima de um plano pré-estabelecido;

Primeiros ministros são Product Owners por excelência e suas nações são seus clientes.

E você, após ler o artigo que inspira esse texto, que outros paralelos pode fazer com o mundo dos negócios ou da cultura ágil?

Agilidade é ter repertório.

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