A intenção desse artigo é analisar o ambiente de tecnologia no Brasil, as mudanças que estão surgindo em meio a esse ambiente e as consequentes oportunidades de negócio que estão proporcionando.

 

O mundo está entrando na época das mudanças exponenciais, momento que está revolucionando a maneira como as pessoas trabalham e vivem. Essas mudanças são impulsionadas por organizações que têm capacidade de crescimento exponencial, apenas possível por meio de um “conjunto recém-disponível de externalidades” (DIAMANDIS, P. H. Organizações Exponenciais), que serão descritas mais a frente.

A partir desse conjunto de mudanças pelas quais a sociedade tem passado, somado ao estudo aprofundado do setor de Tecnologia da Informação, a intenção do artigo é investigar as oportunidades decorrentes de um novo ambiente de negócios, no qual estão surgindo novas organizações que são capazes de revolucionar setores inteiros e desbancar empresas bilionárias.

 

Alguns exemplos clássico de empresas exponenciais: Airbnb, Uber, Kaggle, TED, Local Motors, Google Ventures, Waze, Github, Zappos,….

A disrupção acontece justamente pelo fato do mundo estar passando pelo processo de habilitar modelos de negócio à informação, mudança capaz de fazer com que tais negócios sejam 10 vezes melhores, mais rápidos e mais baratos que os tradicionais.

 

O conceito de Organização Exponencial (ExO) nasceu na Singularity University (SU), universidade americana que se dedica ao estudo de tecnologias que crescem exponencialmente. Alguns exemplos de suas “disciplinas” são: computação infinita, sensores, redes, inteligência artificial, robótica, manufatura digital, biologia sintética, medicina digital e nanomateriais.

Aliás, só um adendo, recomendo com todas as minhas forças que leia frequentemente o blog deles: Singularity Hub. É a melhor forma de mudar sua mentalidade e começar a pensar exponencialmente.

 

Mas continuando… A definição de ExO é:

“Aquela cujo impacto (ou resultado) é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao de seus pares, devido ao uso de novas técnicas organizacionais que alavancam as tecnologias aceleradas” – Salim Ismail

 

A mudança à qual me referi acima é impulsionada por tais tecnologias e consequentemente pelas Organizações Exponenciais (ExOs). Essas tecnologias representam o meio necessário para que as disrupções, cada vez mais frequentes, continuem acontecendo de forma acelerada (ou exponencial).

 

Há outros atributos que impulsionam essa transformação, segundo Salim Ismail (coautor de Organizações Exponenciais), como o que ele chama de “bilhão emergente”. Serão três bilhões de novas mentes que se juntarão à economia nos próximos 6 anos e isso é relevante por dois principais motivos.

 

O primeiro é que serão três bilhões de novos consumidores que representam dezenas de trilhões de dólares para a economia mundial.

 

O segundo é que esse grupo – o “bilhão emergente” – será uma nova classe de profissionais empreendedores com a geração mais recente de tecnologias distribuídas. Esse ambiente está mudando completamente o ritmo na inovação e suas consequências em organizações tradicionais.

 

A teoria dos 6 Ds

 

Peter Diamandis, cofundador da SU, explica e justifica a velocidade das transformações atuais por meio da teoria dos 6 Ds. A teoria dos 6 Ds representa o processo por meio do qual é possível habilitar modelos de negócio à informação.

 

São os 6 Ds: Digitalization (digitalização), Deception (disfarçado), Disruption (disrupção), Demonetazation (desmonetização), Dematerialization (desmaterialização),  Democratization (democratização)

 

Essa teoria, ilustra o processo de habilitação à informação pelo qual modelos de negócios têm passado para dar vida às tais Organizações Exponenciais – e faz parte do “conjunto recém-disponível de externalidades” descrito no começo desse texto.

 

Digitalização

 

O processo inicial, digitalização, parte do pressuposto de que qualquer negócio, ou pelo menos a grande maioria deles, tem a capacidade de ser habilitada ao ambiente digital e da informação. Ou seja, o core business da empresa pode ser representado e oferecido por meio de uma interface digital e online.

 

Crescimento disfarçado

 

A partir do momento em que uma tecnologia é digitalizada, ela passa por um processo de crescimento disfarçado (baseado em multiplicadores como 0,01; 0,02; 0,04; 0,08; pequenos e imperceptíveis para grandes empresas).

 

Mas uma vez que esse crescimento alcança o “joelho” da curva, ela está a apenas 10 multiplicações para chegar a 1.000 vezes e a 20 multiplicações para chegar a 1.000.000 de vezes e a 30 multiplicações para chegar a incríveis 1 bilhão de vezes.

 

organizações exponenciais

 

Veja por exemplo a curva de crescimento do Airbnb. No início, era quase nulo e esse crescimento “disfarçado” era imperceptível às grandes corporações (a Hilton se arrepende disso até hoje). Contudo, uma vez que o modelo de negócios da Airbnb é digitalizado e habilitado à informação, assim que o crescimento atinge o “joelho”, ele se torna exponencial (se multiplica geometricamente).

 

Disrupção

 

Disputiva é aquela empresa que cria um novo mercado das cinzas de um velho. Por exemplo, o Uber é disruptivo pois desbancou a indústria de taxis e ao mesmo tempo criou um novo mercado de consumidores, com novos desejos e e hábitos, não mais atendidos pela indústria morta.

 

Desmonetização

 

A partir do momento que a empresa é digitalizada e disruptiva e a tecnologia começa a ficar mais barata, o dinheiro é retirado da equação. Para exemplificar, por mais lucrativa que a Kodak tenha sido, seus filmes nunca poderiam ter competido com megapixels gratuitos.

 

Software é menos custoso do que hardware e replicar um código é virtualmente gratuito. Seu custo de produção ou custo marginal de replicação tendem a zero.

 

Dessa forma que o Waze desmonetizou os GPSs físicos – que tinham um custo alto para o consumidor final e foram substituídos por um aplicativo gratuito e que tem uma base de informações em tempo real, retroalimentadas pelos próprios usuários em um modelo de crowdsourscing.

 

Desmaterialização

 

Uma vez que uma tecnologia se torna digitalizada, disruptiva e desmonetizada, ela se desmaterializa. Ou seja, faz com que não seja mais necessário carregar um GPS, uma lanterna ou uma câmera de fotografia e vídeo. Essas tecnologias estão desmaterializadas em forma de aplicativos ou funcionalidades de smartphones e computadores pessoais.

 

Democratização

 

A consequência, ou o passo final, de tudo isso é a democratização. Como diz o autor, “caso você quisesse atingir um bilhão de pessoas há trinta anos você teria que ser uma multinacional bilionária como a Coca-Cola ou a GE”. Hoje, basta você ser “um garoto em sua casa que faz o upload de um aplicativo para algumas plataformas principais. Sua capacidade de atingir a humanidade foi democratizada”.

 

Tecnologias poderosas não são mais apenas para governos e grandes corporações. Agora, qualquer um com um computador ou smartphone tem a oportunidade de oferecer e ter acesso a tecnologias disruptivas.

 

Se adapte ou morra

 

Em meio à toda transformação explicada por Salim Ismail, Peter Diamandis, Michael S. Malone e Yuri Van Geest em Organizações Exponenciais, estão surgindo grandes oportunidades em setores que ainda não sofreram mudanças significativas, mas que terão que passar pelo processo de adaptação à nova realidade que chega mais rápido que nunca e que será muito mais agressiva do que qualquer previsão.

 

Nenhuma organização, seja ela governamental, comercial ou sem fins lucrativos, será capaz de acompanhar o ritmo definido pelos 6 Ds.

Existem duas opções para as empresas que já existem. Ou rapidamente entendem seus consumidores e habilitam suas empresas à informação. Ou pacientemente aguardem que novas, ágeis e inteligentes startups a substituam do dia pra noite.

 

Dito isso, meu objetivo com esse artigo não é fazer você alterar o seu modelo de negócios hoje mesmo. Mas sim tentar mudar um pouco o seu mindset em relação à forma como sua empresa opera neste momento. Não importa se você trabalha em um micro, pequeno ou grande negócio. Sua empresa está apta a se tornar ou ser desbancada pela próxima disrupcão.

A mudança já começou a acontecer em um grau que ainda permite ao modelo tradicional continuar prosperando. Porém, novas iniciativas vem ganhando fôlego e espaço mundo a fora.

 

Vamos tomar por base, para esta análise, o setor de Tecnologia da Informação – ao qual me referi a cima – por ser o setor em que o BossaBox, empresa que sou sócio, opera.

Imagine os modelos de empresas tradicionais que existem hoje, como opção para se desenvolver um software customizado:

 

Casas de Software, Fábricas de Software e Agências de Software

 

Empresas de TI formadas por vendedores, gerentes de projeto, desenvolvedores, designers e testers (pessoal de teste de software) que possuem vínculo empregatício, trabalham no escritório e baseiam-se em pessoas, processos, ativos e estruturas físicas.

 

Desenvolvem software, mas não baseiam suas operações no ambiente digital. Têm funcionários para tudo e diversos setores, têm operações de venda baseadas, majoritariamente, em venda porta-a-porta, dependem de uma relação presencial, têm um custo fixo alto, poucos canais de comunicação e pouca documentação do processo como um todo, portanto, muita assimetria de informação no processo.

Não são orientados à escalabilidade e nem à automação dos processos via software.

 

Startups de Software

 

Algumas das mais expressivas são o Gigster e o Toptal. Empresas com valores de mercado já superiores a dezenas de milhões de dólares.

 

Gigster

 

Por meio do Gigster é possível “apertar um botão e adquirir um software” de qualquer lugar do mundo – desde que se tenha um belo budget para um projeto em dólar.

A empresa opera 100% pela internet, por meio de um marketplace que conecta clientes a engenheiros de software freelancers, que entendem a demanda, fazem um orçamento, montam uma equipe remota e começam a desenvolver um projeto em horas para entregá-lo em semanas.

 

A maioria dos projetos dura entre 2 e 4 semanas e há mais de 700 freelancers altamente qualificados, sendo a maioria do Vale do Silício – Stanford, CalTech, Y-Combinator, Facebook etc..

Por fim, a empresa já desenvolveu projetos para gigantes como IBM, Pepsico, Ebay e MasterCard. Além disso, a empresa já levantou mais de U$32 milhões de dólares de capitalistas de risco.

 

TopTal

 

Já o TopTal é um site no qual é possível contratar um freelancer para trabalhar na sua equipe.

Esses freelancers podem ser especialistas de uma das 3 áreas: desenvolvimento de software, design ou finanças. Basta entrar no site e em horas poderá ter um freelancer em sua equipe – que a empresa garante que são os 3% melhores do mundo, já que são “curados” por meio de um algoritmo que assegura a qualidade, eficiência e eficácia dos profissionais.

 

A empresa já tem faturamento estimado em U$49 milhões por ano e é conhecida por não ter levantado investimento em nenhum dos estágios de crescimento pelo qual passou, tendo utilizado a técnica de bootstrap – quando a empresa se alavanca com a própria geração de receita, reinvestindo e crescendo apenas com esta fonte de dinheiro.

 

Empresas escaláveis

 

Esses são dois exemplos de modelos de negócio no setor de TI habilitados à informação e que estão passando pelo processo de desmonetizar empresas tradicionais.

O próximo passo é democratizar o desenvolvimento de um software, o que, segundo o fundador do Gigster, Roger Dickey, é um dos principais objetivos da empresa, no longo prazo, já que nesse momento o custo em dólares dos serviços da empresa ainda não é acessível para uma parte do mercado.

 

Esses modelos são o início da transformação do setor de TI, que no Brasil ainda parece ser menos madura, mas que está em andamento e caminhando na mesma direção.

A oportunidade encontrada pelo BossaBox evidencia esse fato. O BossaBox é também um exemplo de um modelo de negócio habilitado à informação no setor de TI. Fazemos softwares web customizados 100% via internet. Sem qualquer relação presencial e contamos com mais de 400 prolancers (freelancers profissionais do BossaBox).

 

Por fim…

Espero ter cumprido o meu objetivo de começar uma mudança na sua mentalidade que pessoas mais qualificadas que eu serão responsáveis em completar.

 

Dito isso, recomendo fortemente que comece hoje a ler o livro “Organizações Exponenciais” e o blog Singularity Hub.

Conteúdo escrito por Givanni Salvador, Fundador do BossaBox.

 

 

Uma introdução à era das Organizações Exponenciais
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