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Você pegou o celular para ver o número de um colega de trabalho para quem precisava mandar uma mensagem e, sem perceber, passou 40 minutos rolando por infinitos dashboards de redes sociais. Eu sei, não é raro se identificar com situações como essa.

 

 

Espero que você nunca tenha chegado nesse ponto, mas se já viveu algo similar, não precisa acreditar que a culpa dessa distração toda é sua. As redes sociais dominam a economia da atenção, fazendo de tudo para conquistar mais cinco minutinhos do seu olhar.

 

Essas ferramentas são feitas a partir de estudos do funcionamento de nosso psicológico para mover nosso cérebro em direção às ações que irão manter sua atenção. Linguística, sons, design, comportamento social: é um fluxo infinito de estímulos para não te deixar fechar a aba e te fazer voltar sempre.

 

Isso tudo acontece em apenas 60 segundos na internet. Como não ganhar nossa atenção?

 

O que é a economia da atenção?

 

Por definição, economia é o estudo de como uma sociedade usa seus recursos escassos. Com a internet, a informação definitivamente não é uma escassez. Qualquer pedaço de informação que você precise está a segundos de distância. O que está em escassez é a nossa atenção.

 

Ninguém coloca nada na internet sem a esperança de conseguir alguma atenção. A economia da atenção é a economia natural do ciberespaço. Informação consume nossa atenção. Nós vivemos nessa economia, onde somos bem sucedidos quando conseguimos pessoas para passar o maior tempo possível gastando sua atenção com o nosso produto ou serviço.

 

Você domina a economia quando consegue fazer as pessoas desenvolverem o hábito de gastar tempo prestando atenção no que você apresenta. Esse é o motivo para vídeos no youtube ou textos no google terem títulos extremamente atrativos e convincentes, é o motivo do buzzfeed ser bem sucedido, justifica porque a política não é mais tanto sobre saber agir politicamente, mas sobre atrair mais atenção para figuras políticas. É o motivo porque a netflix tem autoplay e redes sociais tem um scroll infinito. Esqueça a informação, é tudo sobre relevância.

 

O mal é nossa falta de atenção

 

Essa necessidade constante de voltarmos nossa atenção para um imenso número de informações pode ser altamente prejudicial para conseguirmos voltar nosso foco para atividades mais profundas. É como se estivéssemos vivendo nossa vida não exatamente do jeito que queríamos, mas do jeito que somos levados a viver, perdendo horas apenas pelas pequenas explosões de dopamina que vem de cada curtida.

 

O medo de perder algo que está acontecendo, conhecido por FOMO – Fear of missing out, já é um diagnóstico real e pode causar consequências severas, como depressão e ansiedade.

 

“O mal são os olhos cegos e os ouvidos moucos. O mal é a desatenção e o auto-centramento. O mal é aquilo que sinceramente não me ocorre, que realmente não enxerguei, que juro que não ouvi, que não sei como fui esquecer.”

 

Exercícios de Atenção – Alex Castro

 

Os bens da economia da atenção

 

Não precisamos (nem conseguiremos) vencer a economia da atenção, mas precisamos encontrar nela o equilíbrio. Dentro de toda essa distração, muitas vantagens surgiram para nós: em alguns segundos podemos descobrir o telefone de um hospital, conhecer a reputação de um restaurante, ver o mapa do local para onde precisamos chegar.

 

É possível assistir filmes ou ouvir música de todos os lugares do mundo, em qualquer lugar. Temos mais poder de disseminar denúncias, de lutar contra o preconceito, de agir em favor da vida das pessoas quando acontecem desastres. Nós podemos falar com amigos e familiares do outro lado do planeta, não é maravilhoso?

 

Nenhuma tecnologia substitui a troca de momentos e experiências frente a frente, mas muitas delas fortalecem essa comunicação quando isso não é possível. Com tantos pontos positivos e negativos da economia da atenção, para onde vamos daqui?

 

Para os negócios que buscam nossa atenção, existem dois caminhos: decidir por explorar a psicologia inconsciente do ser humano a favor do looping eterno de lucros e poderes, ou decidir por uma abordagem humana.

 

Como ser humano na economia da atenção?

 

Quando voltamos nossa atenção em favor do respeito, considerando cada pessoa como um ser humano e não apenas como uma fonte de dinheiro, vemos o tempo como algo valioso. A partir disso, é possível ajudar cada pessoa, dentro de seu universo, à focar naquilo que irá trazer benefícios para sua construção pessoal, sua saúde e a agir positivamente no mundo.

 

Isso pode vir desde uma abordagem menos intrusiva em trabalhos de marketing, como a partir do Inbound Marketing, até o incentivo de mais momentos de compartilhamento presencial com os outros. As organizações exponenciais precisam se juntar nessa luta por mais experiências verdadeiramente atentas, que gerem ações concretas.

 

A não ser que cada um de nós comece a se comportar a favor de mover essa economia da atenção em direção à melhores resultados, seremos para sempre pessoas que veem tudo o que está acontecendo no mundo, mas não fazem nada sobre isso.

 

Economia da atenção: nosso bem mais precioso é o nosso tempo
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