Mastertape #8: A importância do triunfo

James Brown, Palmeiras, 1978.

O Rei esteve entre nós.

Eram tempos de festa, era a época dos bailes blacks.

São Paulo precisava dançar e faltavam espaços democráticos.

Nessa mesma época, chega por aqui o triunfo.

E o triunfo é importante, p***a!

Nelson Triunfo veio do Recife e trouxe a cultura da dança de rua, inspirada no frevo.

E isso foi a pólvora.

Do dia pra noite, centenas, e depois milhares de pessoas, começaram a se reunir nos finais de semana no centro de São Paulo pra dançar.

Reuniam-se ali, na rua 24 de maio, perto da galeria do rock.

O calçamento da rua era propício para a prática do break, com suas lajotas grandes e lisas.

A coisa começou a ganhar mais e mais tamanho, até que os “meganhas” cortaram o barato.

O grupo teve de achar novos espaços e foi se acomodando ali perto mesmo, primeiro na escadaria do municipal e depois, definitivamente, na estação São Bento do metrô.

Era início dos anos 80 e a arquitetura brutalista da estação parecia ter sido feita sob medida para hospedar a cultura de rua que emergia em São Paulo.

Dançarinos, punks, skatistas, grafiteiros e rappers ocuparam criativamente o espaço, reunindo até 3000 pessoas nos finais de semana.

E foi ali que nasceu o hip hop.

Na escassez, na improvisação, na reunião dos iguais e dos diferentes que vinham de todos os pontos da cidade.

Os Racionais Mc’s, por exemplo, nasceram ali.

Era um coworking de verdade, onde seus participantes trocavam boas práticas e onde o intercâmbio de artes e artistas criou a São Paulo multifacetada e cultural que temos hoje.

De lá pra cá, muito mudou, a arte de rua virou hype, mas é importante entender que, antes de tudo, tinha o triunfo.

Esse era o Product Owner da parada, aquele que cuidava das tretas, que fazia a correria, que mantinha a parada acesa e movimentada e que gerenciava o backlog de artes e de artistas.

Nelson Triunfo dança até hoje.

E a estação São Bento é o marco zero do hip hop em São Paulo.

Para saber mais da história, veja esse curto documentário…

É imperdível.

E ouça e leia a letra de “Tempo Bom” de Thaíde e DJ Hum (link aqui).

É um retrato autobiográfico daqueles tempos.

O triunfo é importante, p***a!

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