Mastertape #6: Sem fôlego? Walk the line

Em 1956 Johnny Cash já era o cara.

Mas, voltemos à musica.

Abaixo o vídeo da apresentação, e a partir de 6m:05s o momento onde Caetano irrompe num discurso catártico.

O homem de preto era cobiçado por todos e receou que não ia segurar a onda.

Casado, temia não fazer jus aos votos de devoção.

Temia o pecado.

Aliás, sua biografia cinematográfica é sublime e explora bem esse momento da sua vida.

No filme, quem faz Cash é o Joker.

Sacaram?

Pois bem, atormentado pela ideia, o caubói solitário rapidamente escreveu uma letra, fez a melodia e entrou no estúdio.

O andamento da canção era lento e o produtor sugeriu acelerar um pouco mais.

Cash ficou meio puto, mas aceitou, e assim nasceu “I Walk The Line”, clássico dos clássicos dos clássicos, famosa pelo seus murmúrios entre estrofes.

Numa entrevista, perguntaram a ele o que significavam aqueles longos e melódicos “hmmmmmms”.

O homem de negro deu uma resposta nada filosófica.

Disse apenas que usava esse recurso para recuperar o fôlego.

Fôlego? Sim, fôlego.

É tudo o que precisamos recuperar nessa quarentena e também é aquilo que precisamos observar como principal sintoma do coronavírus, manifestado na sua ausência.

Se quisermos levar “I Walk The Line” para a cultura ágil, podemos dizer que a autovigilância de Cash, ao escrever a música para conter seus demônios existenciais, se assemelha ao ato de usar Kanban para Gestão Visual.

Uau. Sério? Sim, muito sério.

Trata-se do ato de ter um gatilho, nesse caso visual, de controle e de percepção de andamento de tarefas, de andar na linha, na cadência adequada de projetos e processos.

E entre uma estrofe e outra, ou entre uma sprint e outra, para recuperar o fôlego, é altamente recomendável fazer retrospectivas, que são os momentos onde aprendemos sobre as coisas boas e ruins e onde realinhamos times e expectativas.

Walk the line.

Recuperem o fôlego.

Hmmmmmmm. Hmmmmmm

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