Sobre o Sergio e a Netflix

Um final de semana em casa pode ser bem produtivo depois que você reconhece que poder tirar lições e aprender muito por meio de uma interação banal com o universo.

Tem um pesquisador que foi o tema do meu sábado chamado Peter Hollins que fala exatamente assim: todos temos autodidatas dentro da gente, mas só conseguem ser aqueles que se auto ensinam 24hs por dia 7 dias na semana. Eu não consegui ainda, mas sigo tentando. O Fábio, conhecido por todos pelo primeiro nome, é o autodidata mais autodidata que eu conheço. Ele tira novas leituras de quase tudo, e o mais legal é que ele divide com todo mundo. Nesse domingo ele me falou para assistir Sergio, um documentário da Netflix.

Acatei na hora. Abro a Netflix e tomo um soco na cara do algoritmo de recomendação deles. Que falta de tato. Pandemia como a primeira recomendação? Fiquei tentando entender as motivações, mas nenhuma delas me pareceu justificar. Eu sei que precisamos de informação, mas colocar na capa da Netflix um doc que começa falando que era totalmente previsível e que talvez, uma pandemia de gripe era a única certeza que a OMS tinha, é de pirar o cabeção. Me soa insensível. Ainda que seja culpa do algoritmo e ele priorizou porque as pessoas buscaram, temos que lembrar que algoritmos são binários e não fazem juízo de valor. Isso é excelente para certas tarefas, para outras catastrófico. Não, vamos pensar que o Netflix quer informar as pessoas. Sério? Me soa um pouco desconexo da missão da empresa: facilitar acesso a filmes e programas de TV de entretenimento. Opa Opa Opa. Vou parar por aqui e contar o que eu vim aqui contar.

Sergio. Assistam. Um documentário sensível e bem realista. Um brasileiro, que teve muitas oportunidades na vida e usufruiu de todas elas para criar um mundo melhor. Uma aula de liderança. Poucas vezes desejei tanto que um homem fosse reconhecido no seu país. O Brasil teria tido um presidente e tanto. Aprendi com o Sergio muito nesses menos de 120 minutos.

As principais lições foram:

1 – Ser reconhecido pelo primeiro nome. O secretário geral da ONU fala que ele era o único funcionário que todos conheciam pelo primeiro nome. Ou seja, independente da cadeira que você está ocupando, você não é melhor do que ninguém. Talvez esse tenha sido o segredo das grandes negociações de Sergio. Reparem que a maioria do dos nossos líderes são reconhecidos pelo sobrenome. Não venha me dizer que é coincidência.

2 – Não basta refletir, tem que fazer. No discurso dele para os novatos da ONU, ele lembra que o melhor acontece no campo, nas missões, onde as pessoas que eles ajudam estão. Então, tem que parar de achar que lendo relatoriozinho vai conseguir resolver todos os problemas da sua empresa. Os grandes problemas da humanidade, menos ainda.

3 – Pessoas. Em vários momentos ele se coloca em posição de escuta. Ele conversa com todos, dos malvadões aos bacanas. São pessoas e precisamos escutar todos para tomar atitudes.

4 – Eles também se ferrou para equilibrar vida profissional e pessoal. Pois é. Ele era humano.

5 – Terminou a vida pensando em como a missão não ia parar. Se manter firme nas suas convicções é a única forma de olhar pra traz de não se arrepender.

Fico triste que a gente não conheça os Sergios brasileiros, e olha que esse era fácil de conhecer.

Sergio e Netflix, me fizeram pensar que precisamos repensar os rumos de nossa atenção e audiência. Alguma coisa não está certa.

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