Desde 2016, o UX trends divulga a pesquisa State of UX e este ano não foi diferente. O State of UX 2019 indica os caminhos do design de experiência no mercado atual e daqui para a frente, com comentários e dados sobre o avanço dessa forma de criação.

 

Não dá para entender de UX design sem entender de pessoas. O UX é feito para pessoas. Alguém, em algum lugar, vai experimentar os efeitos de qualquer produto que criamos, independentemente de interagirem diretamente com ele. Seja qual for a nossa disciplina, projetamos no contexto de uma sociedade humana e buscamos projetos porque alguém acredita que eles são valiosos. Nesse sentido amplo, a experiência do usuário é a essência de todo o design.

 

A pesquisa vale a leitura completa, mas aqui iremos destacar alguns dos principais pontos levantados como tendências no design de experiência para os próximos anos considerando sua influência crescente na forma de vermos o mundo.

 

O design de experiência hoje

 

Hoje, esse termo experiência do usuário está terrivelmente mal utilizado. Ele tem sido usado por pessoas que dizem: “Sou designer de experiência do usuário, projeto websites” ou “eu desenho apps”, e eles não têm ideia do que estão fazendo e acham que a “experiência” é esse dispositivo simples. Não, é tudo: é a maneira como você experimenta o mundo, é a maneira como você experimenta sua vida, é a maneira como você experimenta um serviço ou, sim, um aplicativo ou um sistema de computador.

 

À medida que analisamos o estado atual do design UX e consideramos seu futuro, é instrutivo lembrar que o UX não começa nem termina com um dispositivo ou um aplicativo na frente de alguém, mesmo que essa seja a situação que atualmente precisamos projetar na maioria das vezes. É o trabalho dos designers de UX de olhar além das interfaces e abordar esse quadro maior.

 

Fazem pouco mais de 10 anos desde que vivíamos em um mundo sem smartphones, aplicativos móveis e mídias sociais. Particularmente, dada a quantidade de tempo que gastamos agora usando esses produtos, o ritmo da mudança tem sido notável. Isso levou os fabricantes a buscar uma otimização cada vez maior de seus produtos, enquanto as empresas que fornecem produtos por meio dessas plataformas também precisam experimentar e descobrir rapidamente como extrair o máximo valor deles.

 

Indiscutivelmente, estamos vendo agora evidências de que o ritmo de desenvolvimento, em particular dos smartphones, está diminuindo. Os fabricantes passaram uma década refinando seus produtos, de modo que o smartphone é essencialmente um problema de design resolvido. As mudanças que vemos agora em produtos como o iPhone são pequenas e incrementais: elas tornam a solução existente um pouco melhor, mas não levam o produto para um lugar totalmente novo.

 

Da mesma forma, os padrões de design de interação em sites e aplicativos também estão se tornando problemas resolvidos. Por exemplo, ao projetar a navegação para um site ou aplicativo, é provável que os designers de interface do usuário se refiram agora a bibliotecas on-line de padrões de interação de navegação, pelo menos como ponto de partida.

 

Considerando esse cenário, o que vem em seguida para o design de experiência?

 

1. Precisamos gerenciar melhor o tempo

 

Estamos ocupados sendo ocupados. Ocupados preparando as variações A e B para testar, ocupados trabalhando a configuração de sessões de teste remoto, ocupados atualizando o URL do protótipo no cartão Trello. Para manter nossas cabeças acima da água e poder escalar nossa prática, precisamos repensar como focalizamos nosso tempo.

 

Em 2019, precisamos criar tempo e espaço para nos mantermos relevantes, experimentarmos e pensarmos mais amplamente sobre o trabalho de UX. Nosso valor e impacto não são definidos em uma solicitação de recurso, mas trazendo a visão de projeto para todas as decisões que tomamos.

 

2. O UX não está salvando o mundo (ainda)

 

O Facebook está usando outdoors para demonstrar seu compromisso em combater notícias falsas. O Uber está exibindo anúncios na TV para ilustrar o compromisso da empresa em fazer o bem. Uma vez considerados disruptores, as empresas digitais estão usando as mesmas estratégias utilizadas pelas empresas de petróleo e tabaco nos anos 90 para projetar a ilusão de um futuro otimista. Enquanto isso, suas equipes de projeto ainda estão ligadas a métricas agressivas, voltadas para receitas e metas de curto prazo.

 

E se, em vez de trabalhar em redesigns não solicitados após o expediente, colocássemos energia para trabalhar em outras iniciativas e setores que precisam de designers? Muitas organizações sem fins lucrativos podem se beneficiar do nosso pensamento.

 

Como designers em 2019, temos que nos posicionar sobre o que acreditamos e o que queremos para o mundo. Podemos não ter as respostas ainda, mas podemos agregar muito valor fazendo as perguntas certas. A hora de começar a consertar as coisas é agora.

 

3. Fazendo UX para relevância

 

Durante anos, temos projetado o engajamento como nossa principal métrica: atrair pessoas, fazer com que as pessoas usem nosso produto o máximo possível, várias vezes ao dia. Agora, como usuários, estamos começando a sentir os efeitos de ter nossa atenção raptada por muitos serviços e as empresas estão sentindo a reação negativa de ver o engajamento diminuir. Como projetamos com comportamentos mais saudáveis em mente?

 

Essa tendência de pessoas que querem produtos e serviços que atendam às suas necessidades, respeitando seu tempo, só será acelerada em 2019. Em vez de lutar por atenção, os produtos que projetamos devem buscar a relevância e o conforto. Nossos KPIs começarão a mudar de métricas centradas no engajamento para métricas relacionadas à afinidade. Por fim, nossa métrica se tornará certificar-se de que os próprios usuários estejam atingindo seus KPIs pessoais. Não porque somos deuses benevolentes, mas porque é parte do nosso trabalho. E porque os usuários vão exigir isso.

 

4. Chega de se sustentar apenas em métodos existentes

 

Ferramentas, metodologias, softwares, guias, passo a passo. O que não falta é resultado do Google para qualquer busca sobre o que fazer a seguir em um projeto de UX. Estamos tão acostumados a ter todos os modelos prontos e as respostas na mão que deixamos de lado o pensamento criativo e crítico para criar nossos próprios caminhos.

 

Em 2019, não devemos deixar que nossa obsessão por métodos substitua nossa capacidade de analisar e pensar criticamente sobre nosso trabalho. Design é sobre como resolver problemas. E decidir como resolver um problema é o primeiro problema do projeto a ser resolvido.

 

5. A programação não é uma obrigação, mas ajuda

 

Nossas ferramentas moldam a maneira como pensamos. Embora o conhecimento de códigos certamente ajude os designers a garantir que eles estejam criando interfaces tecnicamente viáveis, há uma nova onda de ferramentas que gradualmente assumem a responsabilidade de fazer os designers pensarem em termos de componentes e sistemas de design.

 

Em 2019, veremos mais exemplos de ferramentas de design que “sabem codificar”, designers que colocam máquinas para trabalhar para eles, em vez de ter que aprender uma disciplina inteiramente nova que é estranha à sua arte. Será também o ano em que começamos a pensar em termos de fluxos de trabalho integrados.

 

6. O movimento é sexy

 

Já se foram os bons e velhos tempos em que poderíamos criar um protótipo simplesmente vinculando capturas de tela. Já se passaram os bons tempos em que as interfaces digitais se encaixavam perfeitamente dentro de uma prancheta retangular e bidimensional. Conforme as interações evoluem, as formas estáticas também precisa evoluir.

 

Em 2019, os designers precisam se concentrar em jornadas e mentalidades mais do que em uma série de telas estáticas que nunca serão como o usuário realmente experimenta seu produto. E se questionássemos por que estamos fazendo o que estamos fazendo mais vezes ao longo do dia?

 

7. Está na hora de botar a tecnologia para funcionar

 

Todos os anos há uma nova tecnologia, tópico ou palavra-chave brilhante que permeia tudo o que é escrito e publicado em UX. Esse tem sido o caso nos relatórios recentes (Inteligência Artificial em 2018, Chatbots em 2017, a Internet das Coisas em 2016) e nos anos anteriores (design responsivo, realidade aumentada e assim por diante). Chegou a hora de transformarmos essas palavras em práticas.

 

Em 2019, devemos estar pensando em:

 

  • Como consertar a tecnologia que não está funcionando a partir de pesquisas com usuários que podem nos ajudar a entender necessidades genuínas de aprimoramentos de usabilidade que simplificarão o processo de adoção.

 

  • Casos de uso relevantes sobre como incorporar a tecnologia existente na vida das pessoas de maneira significativa, calma e sustentável;

 

  • Idéias sobre como trazer novas tecnologias para mais pessoas, a baixo custo, sem sacrificar seus direitos, privacidade ou economia local;

 

  • Como garantir que a tecnologia não atrapalhe as grandes experiências nos produtos que estamos projetando todos os dias. Estamos aqui para resolver os problemas das pessoas, independentemente de usarmos tecnologia ou não.

 

É hora de melhorar as coisas.

 

Quer ler o relatório State of UX 2019 completo? É só acessar aqui.

 

The State of UX 2019: as previsões para o design de experiência
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